Português
01/08/2014
A poesia total de Elisa Lucinda
Por: Yahoo! Mulher
Escrevo para esclarecer
Ninguém precisa ser doutor em linguística ou em teoria literária para se deliciar com os versos de Elisa Lucinda. Ela consegue - como quase ninguém - escrever sobre temas complexos de forma extremamente clara e bonita. "Eu busco a maneira mais natural de ser e dizer. Procuro um à vontade para aquela realidade. Minha poesia é feita para revelar, não escrevo para esconder nada. Persigo a beleza das palavras, porque a beleza é condição obrigatória para que um conjunto de palavras se torne poesia", nos ensina a escritora. Nascida em Cariacica, Espírito do Santo, em 2 de fevereiro de 1958, ela se mudou para o Rio de Janeiro - onde mora até hoje - aos vinte e poucos anos. Levou na mala, além das roupas e do nécessaire, as lições do seu pai Lino que adorava fazer trocadilhos, além de ensinar com paixão e bom humor o português para os filhos. Na Cidade Maravilhosa, Elisa Lucinda amadureceu seus múltiplos talentos. Subiu aos palcos, foi para frente das câmeras, soltou a voz em canções e poemas, escreveu sem parar. Ela diz: "A cantora, a atriz, a poeta estão em mim. Tudo sou eu, não tem muito mistério, nem explicação. Sou uma artista, procuro desenvolver minhas inclinações e ampliar minhas possibilidades. Sou hiperativa sem medicação". A modéstia é dela, o prazer é nosso.
Meu tema é o mundo
A poeta Elisa Lucinda fala de amor, dor, paixão, frustação, nascimento, morte. Esses temas universais que acompanham a desesperança e esperança de todos nós. Mas sua poesia não se furta a trabalhar com problemas sociais e bem brasileiros. Racismo, sexismo, maltrato aos pobres. No poema Mulata Exportação, lemos o seguintes versos: "(...) Olha aqui meu senhor: / Eu me lembro da senzala / e tu te lembras da Casa-Grande / e vamos juntos escrever sinceramente outra história / Digo, repito e não minto / (...) Porque deixar de ser racista, meu amor, / não é comer uma mulata!". Qual a razão de poemar sobre o racismo? Ela responde: "Ser preto no Brasil é muito puxado. Mata-se um leão por dia. Pois em qualquer lugar e em qualquer balcão, a pessoa negra pode receber um olhar, uma palavra, que não a enxergam como pessoa de primeira categoria". Na mesma toada, Elisa Lucinda escreve sobre o ser e o estar mulher na atualidade: "Muitas mulheres morreram no passado e ainda hoje são assassinadas por assumirem suas escolhas de amores e parceiros. Eu aproveito o respaldo de muitos leitores para falar da liberdade feminina sem que o vizinho ou vizinha me chame de puta. No fundo, acredito no poder da palavra como arma e instrumento para melhorarmos o mundo. Não existe essa de um ser maior ou melhor do que o outro".
Poesia para todos
Um traço marcante de Elisa Lucinda é não usar a máscara do poeta como um ser especial, tocado por arcanjos. Ela é uma das fundadoras da Casa Poema, com sede em Botafogo, Rio de Janeiro. A filosofia do projeto - que pode se replicado em qualquer canto do Brasil - se apoia na ideia de que a poesia, particularmente a poesia falada, colabora com a qualidade de vida pessoal e social das pessoas. O público que participa de oficinas e saraus é abrangente. São educadores, policiais, jovens da periferia, jovens com boa renda, aspirantes a escritores. "Eles aprendem a arte de dizer versos de um jeito coloquial. Passam a compreender a força da palavra como instrumento de informação, ampliação de repertório e formação de cidadania", Elisa esclarece. Ao lado de todos esses afazeres, a cantora, atriz e poeta ainda arranja tempo para tietar o filho Juliano Gomes, jovem cineasta, de quem ela diz: "Guardem esse nome, pois virão muitas coisas boas dele". No momento, ela também trabalha na divulgação de seu mais recente livro Fernando Pessoa, o Cavaleiro do Nada: "Escrevi sobre o homem Fernando, esse português genial. Ninguém precisa ter pedigree em teoria literária para curtir meu livro", assegura a dama das palavras aladas.
Estas informações foram extraídas do site br.mulher.yahoo.com/, em 25 de julho de 2014, e adaptadas. Todas as informações são de responsabilidade dos autores da matéria. Saiba mais sobre Elisa e outras escrituras no Espaço Literatura!